Veterinário, entenda melhor como funciona o sistema de piscicultura Raceway

Na concepção do sistema produtivo de piscicultura em Raceway com recirculação, as perdas de água por infiltração devem ser minimizadas por meio de estruturas em material rígido impermeável

Veterinário, entenda melhor como funciona o sistema de piscicultura Raceway   VetProfissional

 

Precisando entender melhor como funciona o sistema RAS de produção de peixe? Pois bem, vamos lá! Na concepção do sistema produtivo de piscicultura em Raceway com recirculação, as perdas de água por infiltração devem ser minimizadas por meio de estruturas em material rígido impermeável, como PVC, fibra de vidro, Polietileno de Alta Densidade “PEAD”, alvenaria, ferrocimento, entre outros.

- Espécies de peixes indicadas para o cultivo no sistema RAS
A espécie a ser cultivada deve apresentar boa rusticidade, adaptação a diferentes ambientes, resistência a baixos níveis de oxigênio disponível e à toxicidade de amônia, bem como a níveis inadequados dos outros parâmetros de qualidade de água, pelo menos por períodos curtos. Entre as espécies e seus híbridos mais aptos aos sistemas intensivos, com altas trocas de água e altas taxas de estocagem, destacam-se: tilápia, tambaqui, pacu, lambari, alguns tipos de bagres como o jundiá, catfish, panga, truta, pirarucu e demais espécies que atendam aos requisitos mínimos.

- Equipamentos indispensáveis ao sistema RAS
Alguns peixes podem apresentar respiração facultativa e, ou mecanismos para compensação e aproveitamento do oxigênio atmosférico. Equipamentos como aeradores, sopradores de ar e bombas d’água de baixo consumo energético deverão ser usados sistematicamente em projetos de RAS. Adicionalmente, o proprietário deve possuir equipamentos de reposição à mão para substituição imediata e geradores autônomos (diesel, gasolina) para funcionamento em situações de falta de energia. Outros equipamentos devem estar à disposição para eventuais adversidades e outros momentos considerados críticos, como na fase noturna em viveiros ou açudes com baixa renovação de água.

- Oferta de insumos
À medida que os peixes avançam no ciclo produtivo (fase de terminação), e a biomassa total acumulada aproxima-se da capacidade de suporte do ambiente, deve-se ter maior critério na determinação da quantidade de ração ofertada diariamente. Quanto maiores a digestibilidade e a estabilidade da ração, menores serão os resíduos fecais e as perdas de nutrientes para o meio aquático.

Há também inovações tecnológicas com produtos destinados à melhoria e condicionamento de características microbiológicas da água de cultivo. O uso desses biorremediadores, como são conhecidos no mercado, reflete na redução de carga orgânica total, inibe a elevação abrupta de elementos tóxicos (como a amônia) e melhora o status sanitário do ambiente produtivo.

- Por que optar pela recirculação de água?
A recirculação de água, parcial ou completa, implementada de forma prática e econômica, apresenta-se como alternativa promissora e sustentável. Ela pode ser aplicada aos diversos sistemas produtivos, desde que adaptações e dimensionamentos sejam feitos corretamente. A cada ciclo de utilização, a água de cultivo (o efluente) deverá passar por meios decantadores e filtrantes para seu tratamento (ou sua limpeza) e condicionamento, a fim de permitir a recirculação, ou seja, sua imediata reutilização (seu imediato reuso).

Existem sistemas de recirculação altamente tecnificados e compactos, providos de equipamentos modernos e automatizados que requerem, por sua vez, investimentos mais expressivos, dependência contínua de energia elétrica e mão de obra qualificada. No entanto, há opção de se trabalhar com estruturas menos onerosas e operacionalmente mais simples. Nesse caso, busca-se “imitar” a natureza, apropriando-se de artifícios físico-químicos e biológicos relativamente simples (bastante conhecidos), mas que requerem a maximização dos seus efeitos por meios engenhosos.

Não se trata de estações de tratamento de água nos moldes das tradicionais. Os processos físicos são usados para separar e extrair da água o material sólido sedimentável, em suspensão ou residual mais grosseiro (ex. areia, resíduos fecais, restos de ração, escamas, fragmentos de carcaça etc.). Nas fases posteriores, têm-se processos químicos e biológicos por meio do uso de biofiltros diversos, filtros de tambor, skimmers, lagoas de tratamento (aeróbias, anaeróbias, mistas), biodigestores, reatores UASB, ou outros mecanismos dispostos em série ou de forma independente. Todos esses consistem em estratégias eficazes para a redução da carga orgânica residual do ambiente de cultivo e a neutralização de elementos indesejáveis.

Existem, também, diversas alternativas econômicas de tratamento do efluente aquícola. Dentre elas, destaca-se o emprego de microalgas, algas e ou macrófitas aquáticas flutuantes (plantas superiores) com alta capacidade absortiva de elementos eutrofizadores (como o nitrogênio e o fósforo) e de peixes filtrador-onívoros, que, por sua vez, se alimentam de boa parte desses grupos vegetais. 

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