Descorna: indicações e técnicas

A descorna é indicada para abrandar a agressividade nos rebanhos, facilitando o manejo, prevenindo acidentes com os funcionários e reduzindo danos às carcaças

Caprinos descornados

Muito comum nas criações de bovinos, ovinos e caprinos, a descorna é uma prática que consiste em eliminar os cornos (chifres) dos animais, extraindo-os ou impedindo seu crescimento. Quando realizada em filhotes, também é chamada de mochação.

Como algumas técnicas de descorna são relativamente simples, em muitas propriedades, principalmente nas pequenas, os próprios criadores e seus funcionários se consideram aptos a realizá-las. Contudo, mesmo que minimamente, a mochação ainda é um procedimento invasivo e, portanto, passível de complicações, de modo que apenas médicos veterinários são habilitados a praticá-la segundo os princípios de analgesia, assepsia e homeostasia exigidos.

Preventivamente, a descorna é indicada para abrandar a agressividade nos rebanhos, facilitando o manejo, prevenindo acidentes com os funcionários e reduzindo danos às carcaças. Terapeuticamente, é indicada em casos de fraturas de corno e úlceras de contato, as quais ocorrem principalmente em bovinos da raça gir. Além disso, também é um procedimento estético, uma vez que proporciona um aspecto uniforme aos animais de exposição.

As três técnicas de descorna empregadas nas propriedades são a química, a térmica e a cirúrgica. A primeira é indicada para animais com até 7 dias de vida e consiste em, após a remoção do botão córneo, aplicar uma pasta de hidróxido de sódio ou hidróxido de potássio no local para cauterizar o ferimento, cuidando para que o produto não escorra nos olhos dos animais.

A descorna térmica, por sua vez, é indicada a partir dos 15 dias de vida até antes dos 4 meses. Para efetuá-la, deve-se conter adequadamente o animal, anestesiar o local do nervo cornoal, remover o botão córneo e, em seguida, cauterizá-lo até o tecido germinativo com um ferro incandescente.

Já a descorna cirúrgica é indicada para animais acima dos 6 meses de vida e sempre deve ser a última opção, ou utilizada apenas em casos terapêuticos, pois é muito estressante para o animal e para o proprietário devido aos cuidados pós-operatórios. Sua realização requer jejum de 24 horas, escolha de um local adequado, sedação, contenção em decúbito esternal e anestesia, de modo que os cuidados com a assepsia prevaleça durante todo o procedimento e haja monitoramento constante das condições físicas do paciente.

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